terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Despersonificação

Vens sempre repentina com a madrugada

fria, solitária e apontas-me

como se eu fosse um pedaço de papel

que ao simples toque subtil e delicado

dos teus frágeis dedos

transforma-se em mil e uma coisas

que pensas e vês à tua maneira,

nada mais importa, és como

és, vês tudo menos a mim,

eu não sou mais

quem queria ser, despersonalizo-me

acabando sendo como sou e nada

mais importa, vejo tudo

e nada me vê.

Leonardo

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


Que sentimento é esse que

fica, que predura, que

consome, que insiste

em magoar. sentimento

bom, que acarreta dor

de prazer, o que é isto

que me faz feliz e infeliz, que traz

e leva, mais rápido

me consome até ao último

instante em que acompanhado me

sinto sozinho, em que no meu

lado escuro é claro e feliz.

Sentimento que fica do que fiz

e do que nao fiz, do que devia

ter feito mas nao fiz, mau

lado negro claro que nao quis

mas tenho e levo para onde vou.


Leonardo

domingo, 23 de dezembro de 2007

Desisto de ti

Venho por este meio dizer
Uma coisa inesperada
Não me restam forças,
Desisto de ti minha amada.

Adeus até um dia
Eu sempre amei sozinho
Agora segue com a tua vida
Que eu sigo meu caminho.

Nem me disseste porquê
Simplesmente foste embora
O motivo será o de eu
Ser feio por dentro e por fora.

O teu muro impenetrável
Uma porta apenas tinha
Nunca me deste a chave
Não foste nem serás minha.

Meu amor por ti continua
Desejo-te toda a felicidade
Mas nem olhas para mim
Deves odiar-me de verdade.

Só me resta chorar
Pelo que nunca terei
Não sei se é minha a culpa
Mas eu sempre te amei.

A esperança perdeu-se
E não irá voltar.
Tive-a por pouco tempo,
Agora fico a chorar.

A inveja apodera-se
Daquele que nada tem,
Sou um fraco invejoso
Não tenho nada também.

A luta não continua
A guerra já acabou,
Fica agora a vergonha
De um homem que nem lutou.

A batalha foi perdida
Os espojos não vou ter,
Se eles são melhores que eu
Nada posso fazer.

Se retirar é ser cobarde
Não nego, mas confesso
Reconheço então que sou

O maior cobarde que conheço.

Dénis Carmo

domingo, 16 de dezembro de 2007

Ser Incapaz

As coisas que te quero dizer,
Mas não consigo.
As coisas que quero fazer,
Mas não consigo.

Quero provar-te o meu amor
Mas não consigo.
Quero beijar-te com ardor
Mas não consigo.

Tento ser simpático,
Mas não consigo.
Tento ser teu amigo,
Mas não consigo.

Viver assim não é vida
Estarei morto por certo
A ressurreição espera-me

Quando estiveres por perto.

Dénis Carmo